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janeiro 4, 2011

Ele passa creme nos meus pés sempre que eu peço e me diz que estou linda mesmo quando me sinto o próprio bonequinho da Michelin. Lava toda a louça, elogia o sanduíche de bife salgado e duro e dá risada de qualquer bobagem que eu digo. Ainda estamos em 2008, e isso é tão bom.

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Saudoso 2010

dezembro 27, 2010

Nem acabou o ano, e já tô numa puta saudade. Porque sei que dificilmente 2011 será tão foda. Sério, qual a probabilidade de arrumar um trampo legal e sair de um inferno que durou quase 4 anos, morar na cidade que você sempre quis, juntar os trapinhos com o homem da sua vida, sua família entrar nos eixos e perder 6 fucking quilos de banha num mesmo ano? Compliquê, né?

Não vai rolar retrospectiva, sorry. Tô na terrinha natal, COZINHANDO (meu corpinho, digo), sem o amado (natal cada um passa com su famiglia), e minha mãe tá regulando minha cerveja. Pois é, o ano foi do caralho, mas o momento para louvá-lo não poderia ser menos propí… poprí… bacana. Então, não.

(pausa para mais um banho gelado)

Bom, voltando: 2010 foi isso aí, um ano do cacete. Faltou só conseguir ver mais os camaradas, emagrecer os outros quilins que faltam, comer linhaça toda manhã e praticar Pilates pra desentortar a coluna. De resto tá supimpa, tô satisfeita.

INCLUSIVE, rola até uma perspectiva de dar o troco numa figura muito da féladaputa que ressurgiu das trevas, mas isso é assunto pra outro texto (e já que tenho escrit…escrev… ESTADO AQUI tão pouco nos últimos meses, toda pauta tem que ser economizada).

Então amigues, desejo-lhes aquela virada sensacional e um 2011 tão fodão quanto foi meu 2010. Se 2010 foi merdão, celebre porque acabou. Se foi legalzão, comemore porque é feio ser ingrato.

Cheers!

Ressaca pode, mas só com a sobrancelha impecável e sem borrar o delineador.

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Mais uma do Pondé

novembro 23, 2010

Só espero que os progressistas de plantão não venham encher meu pseudo-saco dessa vez.

Mentira. Espero que venham sim, tô precisando distribuir umas patadas pra desestressar.

Papai Noel

São Paulo é uma cidade maravilhosa porque ela acolhe quem trabalha sem colocar a culpa nos outros

EM 1965, eu tinha seis anos. Morava em Jequié, cidade no interior da Bahia. Meu pai era diretor do hospital da cidade. Fui para a escolinha do clube de tênis local, uma espécie de clube Pinheiros do sertão.
Perto do Natal, a sala foi invadida por um Papai Noel. Foi uma farra para as crianças, menos para mim.
Cresci num ambiente secular. Ateísmo era tão comum como dizer “passe a manteiga”. Desde cedo, meus pais me ensinaram que Papai Noel não existia. Mas não me disseram que eu deveria calar a boca em situações como a que vivi naquele Natal de 1965.
Reconheci uma das professoras vestida com aquele traje ridículo. Imagine o calor de dezembro no Nordeste brasileiro, este mesmo que hoje tantos querem idolatrar e outros demonizar.
De pronto, levantei a mão e pedi para fazer uma pergunta. O Papai Noel me disse: “Pode falar, Felipe”. Eu desabei a dizer que sabia que “ele” era a professora X e que era feio ficar e nganando as crianças com essas coisas bobas porque Papai Noel não existia.
Pronto! Uma gritaria geral. Uma menina, do meu lado, se pôs a chorar. Achei bonitinho ela chorando. No dia seguinte, tentei falar com ela no parque, mas ela ainda estava brava comigo. Resultado, eu fiquei com um trauma: basta qualquer mulher chorar perto de mim que me sinto culpado. Que praga!
A professora, correndo, me tirou da sala. Minha mãe foi chamada à escola. As professoras me disseram que eu havia me comportado mal. Mas, afinal, qual era meu erro, se a verdade é que Papai Noel não existia? Depois de tantos anos, ainda me irrito com quem acredita em “Papai Noel” ou com quem tenta fazer os outros aceitarem suas crenças infantis.
Questão profundamente filosófica, não? Quem sabe foi por isso que decidi ser filósofo. E, para meu espanto, às vezes sinto que continuo naquela sala de aula dizendo o óbvio e levando bronca porque os “coleguinhas” insistem em acreditar em “Papai Noel” ou “tirar” da sala quem afirma que ele não existe.
Acabei vindo para São Paulo. Nunca senti preconceito (começo a detestar essa palavra, porque hoje ela é usada normalmente para calar a boca de quem diz o que não é politicamente correto, essa praga contemporânea).
Em apenas dois episódios, que me lembre, ouvi comentários que claramente faziam referência à minha “nordestinidade” como traço de ignorância. E as duas pessoas, pasme você, leitor, eram pessoas “de esquerda” e “inteligentes”.
Nada de novo. As pessoas “de esquerda” foram responsáveis pela maior parte da chacina política no século 20. As patologias do pensamento hegeliano-marxista e sua vocação para o “Estado total” mataram mais gente do que o nazismo.
E ainda querem me convencer de que posso confiar nas suas boas intenções? Contra os delírios de Hegel, leia Isaiah Berlin e seu brilhante “Limites da Utopia” (Companhia das Let ras; R$ 48, 224 págs.). O Inferno está cheio de reformadores políticos. O Estado deve ser ocupado por pessoas que não querem reformar o mundo. Fora, Papai Noel!
Pessoas que se dizem defensoras de “uma sociedade melhor” ou da “liberdade igual para todos” são autoritárias e são as que primeiro aderem à violência contra a liberdade de fato e contra aqueles que pensam diferente delas.
Quer uma dica? Quem usar muito expressões como “repúdio”, “isso é desprezível”, “interesse coletivo” “estou indignado”, “preconceito”, não merece confiança.
Adoro São Paulo. Entre tantas razões, porque é uma cidade aberta para a única forma de liberdade de fato conhecida: a liberdade de você ter méritos e ter esses méritos reconhecidos pelos outros, independentemente de raça, família, credo, classe social ou sexo.
São Paulo é maravilhosa porque acolhe quem trabalha sem por a culpa nos outros. Liberdade não é sinônimo de felicid ade, liberdade é conflito, agonia, solidão.
Até onde conhecemos a história, só há liberdade onde há capitalismo, mesmo com suas miseráveis contradições. Todo mundo que quis “inventar outra liberdade” queria mesmo era meter a mão no patrimônio alheio e matar o dono.
Entre a felicidade e a liberdade, escolho a segunda. Escolho São Paulo.

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E o SWU?

outubro 13, 2010

Como eu havia dito há uns dias atrás, na segunda-feira eu resolvi fingir que ainda tenho 20 anos e me balancei até o SWU. A tia se encapotou toda por causa do frio do demo que juraram que tava fazendo lá. Quando cheguei (umas 14 hr) tava SOL. Mas bem ensolarado MESMO. E aí comecei a fritar. Tive que ir em um daqueles aprazíveis banheiros químicos (que naquele sol viraram uma sensacional sauna de merda) pra arrancar a legging por baixo da calça jeans.
Tinha muito, muito lixo. E ninguém recolhia o lixo dos latões recicláveis (a única manifestacão de sustentabilidade que eu vi lá), que estavam transbordando.

Mas vamos falar dos shows. Umas bandas qualquer coisa que tocaram lá e eu nem prestei atenção, bem fraquinhas. Aí teve o Cavalera Conspiracy, e amado quase teve um TROÇO. Sério, se eu não estivesse lá, certeza que ele iria praquelas rodas cheias de moleques bobos pulando e empurrando uns aos outros. Mas Sepul… digo, Cavalera Conspiracy é foda, eu gosto demais. Amado reclamou que o som tava baixo, e tava mesmo. Ainda assim, curtimos bastante esse show.

(Pausa pra comer um crepe vagabundo de inacreditáveis 6 contos, tomar água de 350 ml a 4 reais ou uma coca de 600 ml por 6.)

Avenged Sevenfold. Taí uma banda que me surpreendeu. É muito, mas MUITO pior do que eu imaginava. Bandinha de visual Sex Pistols cantando rock farofa, com um vocalista babaca que só sabia gritar fuck, fucking e demais flexões do verbo to fuck. E aquela molecada horrorosa, ensebada e burra chorando, uivando. Senti nojinho. Deu vontade de jogar uma garrafa de mijo na molecada da área vip, juro. Acho que durante o show eu reclamei umas 8 vezes pro amado o quanto a banda era ruim. Se alguém que gosta dessa merda ler isso aqui, me explica: COMO?

Incubus. Disseram que teve, né? Eu só lembro vagamente de umas músicas chatiiiiinhas que tocaram depois da pior banda do mundo.

(Pausa de CINQUENTA FUCKING MINUTOS até o show do QOTSA, putaquepariu)

E teve o QOTSA, que…

(Pausa pra secar uma lágrima)

… foi UMA MERDA! Que dor, mon dieu, que dor! A bosta do som oscilando, os telões que pifaram (e eu, nanica e pé-rapada que comprou pista comum, fiquei sem ver nada), o set list que deixou de fora quase tudo que eu queria ouvir ( cadê “Misfit Love”? Cadê “Avon”? Cadê “Wanna Make It Wit Chu”?). E tinha o Josh, outrora Josh-GINGERLICIOUS-Homme, que resolveu envelhecer e embarangar, entrando no time dos “men who look like old lesbians”. Tá a cara da marida da Cinthia Nixon, só tirar o cavanhaque. Gente, doeu, viu. Eu fiquei tão desconsolada que queria me matar enfiando a cabeça da privada de um dos banheiros químicos. Mas o amado me convenceu que a vida era bela e valia a pena seguir lutando, porque os Pixies ainda iriam tocar.

E ainda bem que ouvi o amado, um cara sábio. Porque o show dos Pixies foi uma belezinha. Tocaram todas as bacanas (eu adoro “Tame”, adoroadoroadoooooro), foram gente finíssima, ainda mandam muitíssimo bem. Amado assistiu o show inteiro com um sorrisão lindo no rosto, feliz da vida. Aquela molecada suja que curte Avenged Sevenfold não sabe o que é bom. Nós já sabíamos, desde a época que nós éramos os moleques sujos. Não é à toa que até hoje minha bio no orkut seja “Wanna grow up to be a debaser”. Amado deu o veredito, eu homologuei: valeu a noite. Agora vamos, que Linkin Park é pra moleque babaca e Tiesto é… quem é esse cara?

Pena que fui tomando o caminho da roça quando ainda tocava “Gigantic”. De dentro do ônibus fiquei curtindo a música, ao longe… até capotar e acordar babando no ombro do amado, na Barra Funda.

Se valeu o SWU? Acho que não. O gosto amargo que fica é em grande parte por causa da prepotência desse papo de “sustentabilidade”. Meu, TODOS os shows que fui na vida eram sustentáveis, então. Não teve nada, absolutamente nada, de especial. Mentira, teve: o preço. Bem mais caro que os shows semelhantes. Se pra salvar o planeta é preciso furar meu bolso, eu quero mais que os miquinhos se fodam.

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I want you to be crazy baby ’cause you’re stupid when you’re sane

outubro 8, 2010

Nesses dias que tudo dá errado, I miss my twenties. Quando eu chegava da aula e tinha pique pra ir pra algum inferninho tomar todas, fumar Marlboro vermelho e me atracar em algum cantinho com algum descabelado mais bonitinho.

Cheap & cheerful.

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Crise criativa, o clichê do preguiçoso arrogante

outubro 7, 2010

Eu já perdi as contas de quantos textos comecei a escrever pra postar aqui e não terminei ou não postei. Salvo no e-mail e largo lá, tomando gosto. Antes, cumpre informar: quase tudo é bloqueado no trampo. WordPress, inclusive. Não leio e nem comento em blogs, uma tristeza. Uso um cadim do Twitter pelo celular, mas é um saco escrever em tecladinho qwerty. E quando chego em casa quero ver minhas séries e jogar Wii; logo, que hora eu escrevo?

E não é por falta de pauta: eu morro de vontade de escrever, sobre muita coisa. Algumas eu não digo pra manter o mínimo da minha privacidade, outras, por preguiça, e algumas eu não comento simplesmente pra evitar a fadiga de esculachar analfabetos funcionais surfando nas buscas no Google, que caem aqui de paraquedas, cagam atrás da porta, chutam o cachorro e vão embora fedendo cachaça.

Se eu fosse mais sem-vergonha, publicaria os textos pela metade, cheios de erros e vazios de sentido e foda-se. Mas não, eu tenho uma reputação a zelar. Há quem leia e goste disso aqui, por increça que parível. E eu tenho um certo carinho por essas pessoas. Até pelos stalkers, vejam só. Devo ser muito carente.

No entanto, a realidade é uma só: desde que me mudei para SP, perdi minha inspiração. Que vinha daquele emprego odioso e da vida de merda que eu levava na roça. Dos argentininhos de metro e meio de altura e camisas xadrez, que faziam toda sexta-feira parecer uma festa junina no Condado*. Perdi meu assunto preferido e, tenho que admitir, escrevo melhor quando estou contrariada. Perdi meu mojo.

Também tem o lance de eu ter me tornado uma respeitável senhora casada. Gente casada e feliz é muito chata, sejamos sinceros. Claro que eu acho as piadas internas que eu e o Amado temos as mais engraçadas e inteligentes do mundo, mas são tudo isso só pra gente. Eu ainda tenho noção, né? Quando eu tava largada e azeda eu devia ser bem mais interessante, até porque as pessoas adoram a mazela alheia. “Poxa, que merda que eu tô, mas aqula mina do blog tá bem pior, só texto de fossa. Vou lá.”. Pois é, queridão, cabô. Minha fossa amorosa agora resume-se a ficar emburrada porque o Amado reclamou dos meus sapatos jogados pela casa ou porque ele comeu meu último Talento com avelãs durante a minha TPM.

Enfim, minha vida tornou-se monótona e comum. Aos olhos dos outros, claro. Aos meus, tá tudo direitinho, mesmo que isso seja meio entediante (e existe alguém satisfeito 100% do tempo?) às vezes.

Uma coisa é certeza: uma hora eu surto. Aí, prometo que as coisas ficarão mais divertidas.

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Da prescrição

setembro 27, 2010

Essa semana aconteceu algo.. insólito (eu diria impossível, pois era a última coisa que eu esperava que acontecesse agora, mas aconteceu): recebi um pedido de desculpas de alguém que realmente me fez mal. Um mal daqueles que muda a pessoa que você é a partir daquele acontecimento, marca sua vida pra sempre. E, pimba: um pedido de desculpas, breve, tímido, numa mensagem instantânea da vida.

Ok, foi um pedido pontual. Se eu fosse contabilizar, era uma parcela de 10 contos pra uma dívida de uns 50.000. Mas considerando-se o indivíduo e o tempo que o pedido demorou pra vir (quase 5 anos após o fato), é de se admirar. Aceitei, fiquei feliz, fiqui intrigada, depois fui ver um filme e passou. A vida dá muitas voltas, de fato. Por mais que eu odeie esse clichê, ele é bem verdadeiro.

Contei pro amado, e ele perguntou se eu achei que o pedido foi sincero. Não. Não achei. Acho que se existisse uma oportunidade, essa pessoa me faria o mesmo mal, de novo. Mas não há essa possibilidade. E pelo menos houve o reconhecimento de que foi algo errado, que eu não merecia aquilo. Mas foi bom pra mim. Eu aprendo melhor na porrada, infelizmente.

Enfim, embora prescrito, eu conheço o mérito do seu pedido e dou deferimento. Dê ciência às partes. Registre-se.

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Ei, SWU, vai tomar na rima!

setembro 21, 2010

E esse SWU, hein? Festivalzinho eco-friendly, no meio do nada (ou no interior, como você preferir), o apelo bucólico da natureza, etc etc… Alguém acredita? Os caras enfiam a faca pesadíssimo no preço dos ingressos, inventam uma palhaçada de área vip a preços estratosféricos (mesmo pra festivais brasileiros – que de costume são absurdamente caros e têm essa merda de área vip na frente do palco, típico brasileirismo odioso ), fazem uma programação porca e – a maior das sacanagens – só soltam o line up completo depois da subida de preços dos ingressos. Sei não, mas arrisco dizer que só isso já dá base pra um processo no Procon, viu?

Eu, que sou trouxa e pé-rapada, vou na merda do show. Graças à pós-graduação (que me custa uma pequena fortuna mensal) tenho carteirinha de estudante. E como sou meio Pollyana, comprei os ingressos no escuro. Explico: o que eu quero ver mesmo é o Queens of the Stone Age. O Lúcio Ribeiro disse que era certeza que viriam, mas né, o Lucio foi “promovido” da Folha pro IG. E dizia que o Interpol (banda que ele resolveu execrar de uns tempos pra cá, apesar do ótimo álbum que os caras acabaram de lançar) viria em 2006. Não vamos esquecer também que o Lúcio acha o Cansei de Ser Sexy a banda mais genial que já botou os pés na Terra. Um cara, digamos, “equivocado”. Enfim, comprei os ingressos quando ainda estavam com o preço menor – no “último dia” do prazo, que depois foi prorrogado por mais uma semana – e o QOTSA foi confirmado uma semana depois. Eu não sou tão crédula assim: procurei confirmar nos fóruns e fanpages da banda, porque confiar só no Lúcio é como crer que a Dilma realmente tem experiência administrativa e está preparada pra ser presidente.

Agora eu vou no show, vou ver Josh Homme de longinho (porque não deu pra comprar área vip, né) e tô quase feliz feito pinto no lixo. Ainda tou numa birra imensa desse festival. Vi que só vai vender Heineken (provavelmente, a um preço extorsivo), vai ser no mato, vai ter gente fedida que acampou e não tomou banho e vai ter um monte de fã do Linkin Park – bandinha, aliás, que vai tocar DEPOIS do Queens, vejam vocês. E eu vou ter que me balançar até a roça sei lá como. O que eu não faço pelo rock. Sou uma maria-guitarra mesmo.

Mas ai de quem vier me falar em sustentabilidade, em festival por um mundo melhor. Sério. Tô sendo otária, mas respeitem minha (pouca) inteligência.

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(mais de) três meses depois…

setembro 16, 2010

… eu volto. Com um post bem curtinho e sem-vergonha, porque tá tarde e eu preciso tomar banho, lavar o cabelo, jantar, secar o cabelo pra parecer uma advogada séria e dormir sem me descabelar, pra acordar com cara de advogada séria.

Que eu fiz esses três meses? Vejamos: assisti o final de Lost e achei uma bosta, assisti o final de 24 Horas e achei sensacional, juntei de papel passado, engordei um pouquinho, emagreci um tanto mais que engordei, cortei e descolori o cabelo, tomei dois ou três fumos do chefe gato, comprei duas estantes e uma escrivaninha e desfiz algumas caixas (ainda tem um monte pra desfazer).

Também discuti política com gente que não valia a pena, com gente que valia a pena, postei muita bobagem no tuinter (o grande culpado do abandono desse blog), comprei alguns sapatos e bastante maquiagem (roupas ainda não, falta perder um bom tanto de peso). Baixei joguinhos de ginástica pro Wii e fiz ginástica, de fato. Comecei aulas de flamenco e já tô querendo sair, porque tem uma tonta que não tem noção de espaço e sempre fica no meu cangote durante as aulas.

E, bom, é isso aí. Ainda preciso tomar banho e lavar o cabelo. E passar o gel anticelulite, caramba!

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Sem esperança

junho 7, 2010

A coluna do Pondé de hoje tá tão foda de boa que me deu vergonha de escrever qualquer coisa de próprio punho. Eu concordo com tudo e mais um pouco. Só acrescentaria “blogueiros” aos “intelectuais e professores”, pois, embora não sejam tão relevantes quanto estes, se dão o valor como se fossem. Sim, vocês sabem de quem eu estou falando.

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Sem esperança

Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo e toda a bobagem de luta de classes

RESPONDO ASSIM, de bate-pronto, a um aluno: “Não, não tenho nenhum ideal”. Silêncio. Talvez um pouco de mal-estar. Todos ali esperavam uma resposta diferente porque todo mundo legal tem um ideal.
Eu não tenho. É assim? Confesso, não sou legal, nem quero ser. Duvido de quem é legal e que tem um ideal. Esperança? Tampouco. E suspeito de quem queira me dar uma.
De novo respondo assim, de bate-pronto, a outro aluno: “Não, não quero mudar o mundo, nem mudar o homem, muito menos a mulher, a mulher, então, está perfeita como é, se mudar, atrapalha, gosto dela assim, carente, instável, infernal, de batom vermelho e de saia justa”.
Mentira, esta última parte eu acrescentei agora, mas devia ter dito isso também. Outro silêncio. Talvez, de novo, um pouco de mal-estar. Espero que falhem todas as tentativas de mudar o homem.
Não saio para jantar com gente que quer mudar o mundo e que tem ideais. Prefiro as que perdem a hora no dia que decidiram salvar o mundo ou as que trocam seus ideais por um carro novo. Ou as que choram todo dia à noite na cama.
Tenho amigos que padecem desse vício de ter ideais e quererem salvar o mundo, mas você sabe como são essas coisas, amigo é amigo, e a gente deve aceitar como ele (ou ela) é, ou não é amizade.
Perguntam-me, estupefatos: “Mas você é professor, filósofo, escritor, intelectual, colunista da Folha, como pode não ter ideal algum ou não querer mudar o mundo?”.
Penso um minuto e respondo: “Acordo de manhã e fico feliz porque sou isso tudo, gosto do que faço, espero poder fazer o que faço até o dia da minha morte”.
Perguntam-me, de novo, mais estupefatos: “Mas você está envolvido no debate público! Pra quê, se você não quer mudar o mundo?”.
Sou obrigado a pensar de novo, outro minuto (afinal, são perguntas difíceis), e respondo: “Participo do debate público pra atrapal har a vida de quem quer mudar o mundo ou de quem tem ideais”.
Os intelectuais e os professores pegaram uma mania de ser pregadores, e isso é uma lástima. Inclusive porque são pessoas que leem pouco e que são muito vaidosas, e da vaidade nunca sai coisa que preste (com exceção da mulher, para quem a vaidade é como uma segunda pele, que lhe cai bem).
O que você faria se algum professor pregasse o evangelho ao seu filho na faculdade? Provavelmente você lançaria mão de argumentos do tipo que os intelectuais lançam contra o ensino religioso: “O Estado é laico e blá-blá-blá… porque a liberdade de pensamento blá-blá-blá…”. Se for para proibir Jesus, por que não proibir qualquer pregação?
Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo em sala de aula e toda aquela bobagem de luta de classes e sociedade sem lógica do capital? Isso não passa de uma crendice, assim como velhas senhoras creem em olho gordo.
Nas faculdades (e me refiro a grandes faculdades, não a bibocas que existem aos montes por aí), torturam-se alunos todos os dias com pregações vazias como essas, que apenas atrapalham a formação deles, fazendo-os crer que, de fato, “haverá outro mundo quando o McDonald”s fechar e o mundo inteiro ficar igual a Cuba”.
Esses “pastores da fé socialista” aproveitam a invenção dessa bobagem de que jovem tem que mudar o mundo para pregarem suas taras. Normalmente, a vontade de mudar o mundo no jovem é causada apenas pela raiva que ele tem de ter que arrumar o quarto.
E suspeito que, assim como fanáticos religiosos leem só um livro, esses pregadores também só leem um livro e o deles começa assim: “No princípio era Marx, e Marx se fez carne e habitou entre nós…”.
Reconhece-se uma pregação evangélica quando se ouve frases como: “Aleluia, irmão!”. Reconhece-se uma pregação marxista quando se ouve frases como: “É necessário d estruir o mundo do capital e criar uma sociedade mais justa onde o verdadeiro homem surgirá”.”
Pergunto, confesso, com sono: “E quem vai criar essa sociedade mais justa?”. Provavelmente o pregador em questão pensa que ele próprio e os seus amigos devem criar essa nova sociedade.
Mentirosos, deveriam ser tratados como pastores que vendem Jesus e aceitam cartão Visa.

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