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Sem esperança

junho 7, 2010

A coluna do Pondé de hoje tá tão foda de boa que me deu vergonha de escrever qualquer coisa de próprio punho. Eu concordo com tudo e mais um pouco. Só acrescentaria “blogueiros” aos “intelectuais e professores”, pois, embora não sejam tão relevantes quanto estes, se dão o valor como se fossem. Sim, vocês sabem de quem eu estou falando.

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Sem esperança

Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo e toda a bobagem de luta de classes

RESPONDO ASSIM, de bate-pronto, a um aluno: “Não, não tenho nenhum ideal”. Silêncio. Talvez um pouco de mal-estar. Todos ali esperavam uma resposta diferente porque todo mundo legal tem um ideal.
Eu não tenho. É assim? Confesso, não sou legal, nem quero ser. Duvido de quem é legal e que tem um ideal. Esperança? Tampouco. E suspeito de quem queira me dar uma.
De novo respondo assim, de bate-pronto, a outro aluno: “Não, não quero mudar o mundo, nem mudar o homem, muito menos a mulher, a mulher, então, está perfeita como é, se mudar, atrapalha, gosto dela assim, carente, instável, infernal, de batom vermelho e de saia justa”.
Mentira, esta última parte eu acrescentei agora, mas devia ter dito isso também. Outro silêncio. Talvez, de novo, um pouco de mal-estar. Espero que falhem todas as tentativas de mudar o homem.
Não saio para jantar com gente que quer mudar o mundo e que tem ideais. Prefiro as que perdem a hora no dia que decidiram salvar o mundo ou as que trocam seus ideais por um carro novo. Ou as que choram todo dia à noite na cama.
Tenho amigos que padecem desse vício de ter ideais e quererem salvar o mundo, mas você sabe como são essas coisas, amigo é amigo, e a gente deve aceitar como ele (ou ela) é, ou não é amizade.
Perguntam-me, estupefatos: “Mas você é professor, filósofo, escritor, intelectual, colunista da Folha, como pode não ter ideal algum ou não querer mudar o mundo?”.
Penso um minuto e respondo: “Acordo de manhã e fico feliz porque sou isso tudo, gosto do que faço, espero poder fazer o que faço até o dia da minha morte”.
Perguntam-me, de novo, mais estupefatos: “Mas você está envolvido no debate público! Pra quê, se você não quer mudar o mundo?”.
Sou obrigado a pensar de novo, outro minuto (afinal, são perguntas difíceis), e respondo: “Participo do debate público pra atrapal har a vida de quem quer mudar o mundo ou de quem tem ideais”.
Os intelectuais e os professores pegaram uma mania de ser pregadores, e isso é uma lástima. Inclusive porque são pessoas que leem pouco e que são muito vaidosas, e da vaidade nunca sai coisa que preste (com exceção da mulher, para quem a vaidade é como uma segunda pele, que lhe cai bem).
O que você faria se algum professor pregasse o evangelho ao seu filho na faculdade? Provavelmente você lançaria mão de argumentos do tipo que os intelectuais lançam contra o ensino religioso: “O Estado é laico e blá-blá-blá… porque a liberdade de pensamento blá-blá-blá…”. Se for para proibir Jesus, por que não proibir qualquer pregação?
Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo em sala de aula e toda aquela bobagem de luta de classes e sociedade sem lógica do capital? Isso não passa de uma crendice, assim como velhas senhoras creem em olho gordo.
Nas faculdades (e me refiro a grandes faculdades, não a bibocas que existem aos montes por aí), torturam-se alunos todos os dias com pregações vazias como essas, que apenas atrapalham a formação deles, fazendo-os crer que, de fato, “haverá outro mundo quando o McDonald”s fechar e o mundo inteiro ficar igual a Cuba”.
Esses “pastores da fé socialista” aproveitam a invenção dessa bobagem de que jovem tem que mudar o mundo para pregarem suas taras. Normalmente, a vontade de mudar o mundo no jovem é causada apenas pela raiva que ele tem de ter que arrumar o quarto.
E suspeito que, assim como fanáticos religiosos leem só um livro, esses pregadores também só leem um livro e o deles começa assim: “No princípio era Marx, e Marx se fez carne e habitou entre nós…”.
Reconhece-se uma pregação evangélica quando se ouve frases como: “Aleluia, irmão!”. Reconhece-se uma pregação marxista quando se ouve frases como: “É necessário d estruir o mundo do capital e criar uma sociedade mais justa onde o verdadeiro homem surgirá”.”
Pergunto, confesso, com sono: “E quem vai criar essa sociedade mais justa?”. Provavelmente o pregador em questão pensa que ele próprio e os seus amigos devem criar essa nova sociedade.
Mentirosos, deveriam ser tratados como pastores que vendem Jesus e aceitam cartão Visa.

19 comentários

  1. Eu discordei totalmente, aqui.


  2. Mas, tb, não acho que minha opinião vale tanto quanto a do Pondé, isso eu sei.


    • Pode não valer pra Folha, mas deveria valer pra você. E acho que vale pra quem concorda, ué. Eu tenho minha opinião em altíssima conta, embora ela não seja definitiva pra quase nada. E não interesse a mais de meia duzia de gatos pingados

      Sobre seu texto: pinçar alguns trechos sem linkar a íntegra não é muito legal, na minha opinião. De certa forma, você distorce as palavras do autor de acordo com a sua interpretação, quando o correto é que se conheça o texto todo pra daí inferir alguma coisa. Sobre o conteúdo: acho absurdo demais querer que o estudo de TODOS os sistemas sócio-econômicos, filosóficos e afins seja grade de ensino fundamental ou médio, né? Os alunos (principalmente da rede pública) precisam é aprender a ler, escrever e a fazer contas em primeiro lugar. Não há maturidade nem experiência nessa fase da vida para refletir e posicionar-se sobre um tema tao complexo.

      Acredito realmente que os sistemas devem ser mencionados e ensinados conforme sua importância histórica e adequação ao tema da aula, mas sem ”pregação”. Quer se aprofundar no assunto? Tem trocentos livros, autores, cursos e quetais pra isso. Hoje em dia tem formador de opinião da bobosfera que acha que o PSDB, por exemplo, é partido de extrema-direita. Culpa de quem?

      O problema é que ninguém quer ler, estudar, RACIOCINAR antes de falar merda, principalmente em relação a política. Muito melhor se já vier apostiladinho e grifado com o que cai no vestibular.


  3. Mto bom! E que bom que está de volta! Saudades!
    beijos


    • Flor! Tô morta de saudades também… quando vem pra Paulicéia desvairada?
      Beijoca!


  4. Pelo visto esse cara (quem?) não vai há muito tempo a uma universidade. Falar em “pregação marxista” hoje é uma bobagem tão grande que nem merece atenção.


    • Verdade, acho que eu e as pessoas que me cercam que somos muito “sortudas”. Eu ouvi essa pregação em toda aula de história e geografia desde o colegial, depois nas aulas de Ciências Sociais, Economia e Direito do Trabalho (pra citar algumas) durante a faculdade. Mas tudo bem, me formei há 5 anos. O engraçado é o meu marido ter cursado Filosofia na USP há uns 2 anos atrás e ter reclamado da mesma ladainha… mas deve ser só com a gente. E esse Sintusp e o tal Brandão, marxista-internacionalista-sindicalista e vândalo de ficha corrida que volta e meia apronta confusão na USP (olha que coisa, invadiram essa semana a reitoria – de novo)… também nem merece atenção. Deve ser um holograma.


  5. Agora mesmo tá rolando uma greve na USP. Vá lá ver se é bobagem falar em “pregação marxista” hoje. Bom, na real, é claro que é bobagem. Sempre foi.


  6. Como comentário pessoal esse post é uma lástima… hahaha…
    Mais vaidoso que o sr não existe.. Além de pensar muito, mas muito pequeno.


    • Gabriela, sério que você não percebeu que o texto não é meu? Nem quando que disse que “A coluna do Pondé de hoje tá tão foda de boa que me deu vergonha de escrever qualquer coisa de próprio punho.“? Quer dizer, você mal compreende o que lê, mas tem uma ideologia. Simpática ao marxismo, presumo. Por isso se doeu com o texto.

      Isso explica muita coisa. Mas vou te dar um conselho: volte aqui quando aprender a ler. Sorte sua que tô num dia bom.


  7. Gente que não lê direito e ainda tem o desplante de vir aqui criticar “o sr” é foda, né.

    Porque a pessoa não se deu ao trabalho nem de ver que a autora do post assina como SRTA T. Senhorita.

    E o que é pensar grande, afinal? É isso que eu gostaria de saber.


    • Ainda bem que ela pelo menos não faltou com o respeito e chamou de “senhor”. Senão eu teria que engrosar BEM o caldo. Dá-lhe mandioca!


  8. Gente, mas por que que sempre que se discute “marxismo” a discussão acaba em agressões pessoais? Cada um escolhe a linha de pensamento que mais atenda a suas necessidades, oras. Se alguém quer criticar esse método de conhecimento da história (de fato, não conheço outro melhor), como o sr. dono do blog fez, tudo bem. Quem o usa não deveria se sentir ofendido. Eu o uso bastante, assim como para entender a a biodiversidade, sou obrigado a recorrer a outro método, o de Darwin. E tento não me ofender, quando ouço críticas como essa do Pondé, embora nem sempre consiga. A questão é: os dois lados, críticos e defensores, sempre se ofendem mutuamente – e não deveríamos. Porque criticar o marxismo ou a teoria da evolução é, na verdade, como criticar uma chave de fenda ou um martelo. Com a diferença de que aquelas são ferramentas de conhecimento, cada uma para uma área. Em resumo, tem mais emoção envolvida nesse debate do que, propriamente, razão. Paciência, somos feitos dos dois.


    • Sr. ou sra. Rok, algumas coisas:

      1- Não sou sr. Fica bem claro pelos textos que escrevo que sou mulher.

      2- Não sei de onde você inferiu que toda discussão que envolve marxismo acaba em agressões pessoais. Não comigo, pelo menos. E pode apontar onde eu o (a) agredi na minha resposta aos seus comentários?

      3- Qual “método de conhecimento da história” que eu critiquei? Pra mim, há uma diferença imensa entre conhecer a história – enquanto fatos – e “contar” a história – ignorando os fatos – conforme “caiba” dentro de uma ideologia X ou Y. Não considero essa última hipótese um método legítimo de conhecer história, por motivos óbvios.


  9. O texto é ótimo.

    E existe tanta pregação marxista em universidade pública que eu, que me formei na FEA (Faculdade de Administração e Economia) tive que aguentar isso.

    Aliás… geralmente os professores amantes de Cuba tinham até guarda chuva da Louis Vuitton. Luxo socialista que só!


  10. 1. Desculpe, sra. Cheguei ao blog, exclusivamente por causa deste post, não li o restante ainda. 2. V. não me agrediu: se não escrevi errado, disse apenas que agressões existem o tempo todo, e o geral dos comentários mostram isso. 3. Me referi ao marxismo como um método. Não nos entendemos, porque aquilo que eu chamei de método v. entende como uma ideologia. Mas em uma coisa nos entendemos: sem marxismo, a história são apenas fatos. Realmente. Nisso está a contribuição do marxismo: não ver apenas uma sequência de fatos na história, mas sim ver uma conexão lógica entre os fatos, uma conexão de sequências, mas de quebras (geralmente o pessoal chama de ruptura).


  11. Corrigindo: “uma conexão NÃO de sequências, mas de quebras (geralmente o pessoal chama de ruptura)”


  12. meu ideal é o Humorismo, o resto é falsidade e manipulação.



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